A Busca

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Editora: Record
Ano: 2008

 


SINOPSE

A vida clandestina de um militante da luta armada contra a ditadura militar brasileira nos anos 70. Ações armadas, congressos clandestinos, viagens sigilosas, prisão, tortura, seqüestro de diplomata, banimento, exílio. 10 anos de exílio em diversos países, Argélia, Cuba, Chile de Allende até o golpe de Pinochetg, Argentina de Perón antes do golpe militar de 1976, França, Portugal.

Emoção a cada página nesta biografia em que o real e o imaginário se mesclam. Muitas vezes, a realidade parece ficção, e a ficção, realidade, formando o que poderia ser chamado de autoficção histórica. Um livro fundamental para o conhecimento da resistência contra a ditadura militar no Brasil. PREFÁCIO Depois da reconciliação democrática a partir da década de 1988, outro nome para o fim da ditadura instalada em 1964, criaram-se as condição para o aparecimento dos testemunhos e memórias do que efetivamente ocorreu durante os vinte e um anos de ditadura militar.

São inúmeras as publicações, já à disposição do púbico leitor, descrevendo as desventuras daqueles que, inconformados com o então estado atual do país que, em vésperas de democracia ampliada, terminou enfrentando a mais sangrenta ditadura da história nacional, decidiram desafiá-las por todo os meios possíveis, inclusive pelas armas. Jovens, em sua maioria, estavam menos preocupados com teorias acadêmicas sobre processos revolucionários, bem mais motivados por um sentimento de justiça política e social que, de hábito, não espera por razões de natureza cartesiana.

É natural que nas especulações racionais que então se davam – e que, depois, foram transcritas para as memórias que escreveram – se misturassem exemplares de literatura revolucionária e capítulos ficcionais de heróis romanescos. O desenlace da vida sempre havia sido um misto de razão e sensibilidade e não haveria de ser aquela geração que fugiria ao chamado.

E não fugiram. Ao contrário da literatura pós-64, pobre de análises sofisticadas e de modesta de memorialista crível, a literatura que dá conta do que foram os anos da luta armada no Brasil é riquíssima de reflexões sobre as motivações, o desenrolar e o final dos chamados anos de chumbo. Não espanta que ficção e realidade se misturem de forma dificilmente dissociada. Caberá aos futuros historiadores a tarefa de consolidar a cronologia dos eventos, o efetivo papel dos atores, e a veracidade dos épicos lances narrados.

Entre outras razões porque vários dos autores são extremamente discretos em identificar claramente quem foi quem naquela explosão de heroísmo e idealismo. É o caso de A Busca, de Liszt Vieira. Sem preocupações canonicamente literárias, narra ele as vicissitudes de não mais de três ou quatro figuras revolucionárias, trazendo o testemunho dos custos da revolução ao nível da experiência radicalmente pessoal e quase solitária.

Estão lá, certamente, o cenário e os atores da peça maior, mas o que impressiona mais são os estados de espírito daqueles que estavam vivendo os piores momentos do heroísmo: a solidão. Dependerá dos futuros estudiosos a identificação precisa dos personagens desta seqüência particular. Mas as turbulências do espírito de um particular participante de todo o processo estão registradas aqui. A Busca é um acréscimo ao conhecimento das angústias do heroísmo episodicamente derrotado.

Wanderley Guilherme dos Santos

 

SUMÁRIO

PARTE I – A RESISTÊNCIA

1. O Seqüestro
2. A Cicatriz de Ulisses
3. O Racha

PARTE II

– BEN AKNOUN: O INTERVALO ARGELINO

PARTE III – O EXÍLIO

1. Cuba – La era está pariendo um corazón
2. Chile – Gracias a la vida
3. Argentina – La vida es una herida absurda
4. França – Sous le pont Mirabeau coule la Seine

PARTE IV

– O RETORNO DE ULISSES

PARTE V

– EPÍLOGO: DE VOLTA AO FUTURO