Liszt Vieira | Escritor

Os 7 pilares do candidato fascista

05/10/2018

A chamada elite econômica e boa parte da classe média votaram em Collor em 89, com medo de Lula. Arrependeram-se quando Collor fez aquela maluquice de congelar contas bancárias. Depois disso, vieram os governos do PSDB e do PT que, com projetos diferentes, respeitaram contratos e direitos, embora não tenham protegido lideranças rurais assassinadas pelo agronegócio e mineração, nem punido os responsáveis pelos crimes hediondos de tortura e assassinato cometidos pela ditadura militar.

Recentemente, essa mesma elite e classe média votaram no Rio no Pastor Crivela para Prefeito, com medo da esquerda. Arrependeram-se, Crivela abandonou a cidade e só cuida dos interesses de sua igreja evangélica.

Agora, essa mesma elite e classe média, com medo do PT, vão votar em Bolsonazi que é  muito mais imprevisível do que Collor, com a agravante de ser sociopata e fascista: propõe todo mundo andar armado, apoia tortura, quer  ditadura , fuzilar adversários, romper acordos internacionais de direitos humanos, trabalho e meio ambiente etc. É racista, misógino, homofóbico, sádico e subletrado.

Comenta-se, nos bastidores, que os setores “civilizados” do PSDB, com FHC à frente, devem apoiar Haddad no segundo turno. O resto, que é considerável, já abandonou Alckmin para apoiar Bolsonazi, o que mostra que, para eles, o projeto econômico neoliberal, mesmo com ditadura, é mais importante que a democracia.

O projeto neoliberal nunca vai ganhar eleição. Por isso, desistiu da direita tradicional e passou a apoiar a extrema direita. O neoliberalismo não ganha eleição porque prejudica os interesses da maioria, transferindo renda dos pobres para os ricos. Deram o golpe com o impeachment, e agora desistiram da direita “civilizada” e passaram a apoiar a extrema direita ditatorial. E a direita “civilizada” vai rachar, uma parte já está apoiando o candidato a Pinochet. Na América Latina, os chamados “liberais” nunca foram democratas. Apoiam a ditadura quando seus interesses econômicos estão ameaçados.

O PSDB implodiu. O PT também tendia a implodir com o desgaste do governo Dilma se não tivessem dado o golpe do impeachment e se não houvessem condenado Lula sem provas, transformando-o em vítima e herói para boa parte da população. Isso se contrapõe à grande rejeição do PT que nunca fez autocrítica de seus erros éticos e políticos. Entre esses últimos, não custa lembrar que cinco dos seis ministros do STF que votaram pela prisão de Lula foram nomeados pelo PT, sendo que quatro desses ministros foram nomeados pela ex-presidente Dilma.

Muitos de nós pensamos que Bolsonaro ia cair quando começassem a campanha e os debates tendo em vista sua evidente mediocridade e incompetência. Não imaginamos que o ressentimento e o ódio ao PT e à esquerda, e a rejeição a tudo o que leva à redistribuição de renda e redução da desigualdade social, fossem provocar o fortalecimento do candidato fascista. Sua campanha eleitoral conta com o apoio de 7 grandes atores:

O Agronegócio e a Mineração, as Igrejas conservadoras, a Imprensa conservadora, a Indústria Armamentista, o Setor Financeiro, o Poder Judiciário e as Forças Armadas. Desses atores, os mais visíveis na campanha são a bancada do boi, bala e bíblia, e o setor financeiro.

Ou seja, com Bolsonaro teremos aumento dos conflitos socioambientais no campo, assassinato de lideranças rurais e indígenas, lucro de bilhões para a indústria armamentista e para os bancos, custo das reformas jogado nas costas dos trabalhadores e aposentados, retrocesso moral e político, supressão da liberdade e direitos, repressão à cultura. E, é claro, a desnacionalização da economia.

O que está em jogo no segundo turno não é uma disputa de poder dentro do regime democrático. O que está em jogo é a democracia contra a ditadura, a civilização contra a barbárie. E, mais uma vez, os chamados liberais, em sua maioria, vão apoiar a barbárie contra a democracia.