Liszt Vieira | Escritor

Influenciadores e Comunicadores da Internet

21/05/2020

 

O que vou dizer é polêmico. Eu reconheço a importância, em termos quantitativos, desses jovens que são muito fortes em internet e comunicação e muito fracos em conteúdo. Eles falam para dezenas ou centenas de milhares de seguidores, alguns para milhões.

Do ponto de vista qualitativo, porém, o que dizem é muitas vezes lamentável. São jovens que não leem, não estudam, dizem o que lhes vem à cabeça por impulso, e o que lhes vem à cabeça foi transmitido, por meio de outras mídias eletrônicas, por pessoas que leram e em geral defendem interesses das classes dominantes. Uns poucos mais inteligentes e honestos, como Felipe Neto, perceberam que eram instrumentalizados e mudaram de posição. Mas a maioria segue dizendo besteira.

Isso me faz lembrar o conceito de “modernidade líquida”, de Zigmunt Bauman, herdeiro da noção “passe-partout ” de pós modernidade. As pessoas não encontram mais pontos de apoio, pontos de referência, bases sólidas para uma ideologia qualquer, e tudo se torna “líquido”, a opinião prevalece sobre o conhecimento fundado em pesquisa científica. A realidade não importa mais, o que vale é a opinião baseada em interesses e preconceitos. Na linguagem de Platão, é a “doxa” em vez da “episteme”.

Daí vem, segundo Umberto Eco, a crise do Estado, das ideologias, dos Partidos, do conceito de comunidade, e a emergência de um individualismo desenfreado, de um consumismo automatizado.

Em novembro passado, um jovem advogado me disse que email e facebook são “coisas de velho”. Ele só usa Instagram e só lê textos curtos. No caso, é formado em Direito. Mas a grande maioria dos usuários da internet não lê livros e se informa apenas por whatsapp.

Quando eu era Professor da PUC (de 94 a 2004), 90% dos alunos não liam jornal. Ano passado, me disse um Professor da Comunicação que os alunos não leem nem jornal digital, apenas leem o que recebem por whatsapp e se tornam vítimas fáceis das fake news.

Sei que há jovens inteligentes e brilhantes que formarão a elite intelectual e governante do país. Mas a decadência da Educação não me leva a ser otimista. A maioria dos brasileiros está emburrecendo.