Liszt Vieira | Escritor

Paradoxo de Epicuro

30/06/2020

A mãe Alexandra Dougokenski, de 33 anos, admitiu em 27/6/2020 que matou o filho Rafael Mateus Winques, 11 anos, em 15/5 passado, no Rio Grande do Sul, com uma corda de varal quando ele estava acordado no quarto devido à desobediência do garoto. Ela afirmou que estava irritada com o filho porque ele não dormia e ficava jogando no celular. Ela deu dois comprimidos de diazepam ao garoto, mas horas depois pegou o menino jogando no celular novamente e resolveu enforcá-lo.

Quando ocorre um crime horroroso, sempre surge alguém para dizer que é sinal do fim do mundo, antigamente não era assim, e por aí vai. Toda época teve seus heróis e criminosos bárbaros. Na Grécia antiga, berço de nossa civilização, as pessoas lotavam o teatro para assistir Medéia, que matou os filhos para se vingar e botar ciúme no marido. E Agamenon sacrificou sua filha Ifigênia pedindo aos deuses que enviassem ventos favoráveis para a frota grega chegar a Troia. A mitologia grega está cheia de crimes horrorosos. Cronos devorava seus filhos. Na mitologia romana, Cronos era Saturno que foi imortalizado num quadro de Goya devorando seu filho.

A existência do mal no mundo faz lembrar o Paradoxo de Epicuro. Deus não pode ao mesmo tempo ser bom, onipotente e onisciente. Se existe o mal, e Deus é bom, então ele não pode tudo ou não sabe tudo, porque não evitou o mal. Se ele sabe tudo e pode tudo, e existe o mal, então ele não é bom. São três proposições que se chocam:

1)      Deus é Onibenevolente (absolutamente bondoso).

2)      Deus é Onisciente (tem absoluta ciência de tudo)

3)      Deus é Onipotente (possui poder absoluto e ilimitado)

  • Enquanto onisciente e onipotente, Deus tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.
  • Enquanto onipotente e onibenevolente, Deus tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é onisciente.
  • Enquanto onisciente e onibenevolente, Deus sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente.

A mãe Alexandra Dougokenski, de 33 anos, admitiu em 27/6/2020 que matou o filho Rafael Mateus Winques, 11 anos, em 15/5 passado, no Rio Grande do Sul, com uma corda de varal quando ele estava acordado no quarto devido à desobediência do garoto. Ela afirmou que estava irritada com o filho porque ele não dormia e ficava jogando no celular. Ela deu dois comprimidos de diazepam ao garoto, mas horas depois pegou o menino jogando no celular novamente e resolveu enforcá-lo.

Quando ocorre um crime horroroso, sempre surge alguém para dizer que é sinal do fim do mundo, antigamente não era assim, e por aí vai. Toda época teve seus heróis e criminosos bárbaros. Na Grécia antiga, berço de nossa civilização, as pessoas lotavam o teatro para assistir Medéia, que matou os filhos para se vingar e botar ciúme no marido. E Agamenon sacrificou sua filha Ifigênia pedindo aos deuses que enviassem ventos favoráveis para a frota grega chegar a Troia. A mitologia grega está cheia de crimes horrorosos. Cronos devorava seus filhos. Na mitologia romana, Cronos era Saturno que foi imortalizado num quadro de Goya devorando seu filho.

A existência do mal no mundo faz lembrar o Paradoxo de Epicuro. Deus não pode ao mesmo tempo ser bom, onipotente e onisciente. Se existe o mal, e Deus é bom, então ele não pode tudo ou não sabe tudo, porque não evitou o mal. Se ele sabe tudo e pode tudo, e existe o mal, então ele não é bom. São três proposições que se chocam:

1)      Deus é Onibenevolente (absolutamente bondoso).

2)      Deus é Onisciente (tem absoluta ciência de tudo)

3)      Deus é Onipotente (possui poder absoluto e ilimitado)

  • Enquanto onisciente e onipotente, Deus tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.
  • Enquanto onipotente e onibenevolente, Deus tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é onisciente.
  • Enquanto onisciente e onibenevolente, Deus sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente.